Senador Alvaro Dias

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  • 21/08/2012
  • Líder revela que empresas laranjas do esquema Cachoeira receberam R$ 413 milhões da Delta
  • Na abertura dos trabalhos da CPI do caso Cachoeira nesta terça-feira (21/08), o senador Alvaro Dias, em nome da bancada do PSDB, solicitou que a comissão votasse com maior urgência os requerimentos que dizem respeito à quebra de sigilo fiscal e bancário de 12 empresas identificadas como laranjas do esquema Cachoeira/Delta. Segundo o senador tucano, a assessoria técnica do PSDB já identificou, a partir da análise das quebras de sigilo das 18 empresas de fachada utilizadas pela Delta Construções, repasses da ordem de R$ 413 milhões, recursos de origem pública.

    "São 18 as empresas identificadas como laranjas do esquema de desvio de dinheiro público comandado por Cachoeira em conluio com a Delta, e 12 delas ainda precisam ter o sigilo quebrado. Essas quebras são essenciais para o trabalho da CPI, para que sejam identificados os destinatários dos R$ 413 milhões repassadas pela Delta", disse o senador tucano.

    Nesta terça, os membros da CPI se reuniram para colher os depoimentos dos procuradores Daniel Rezende Salgado e Léa Batista de Oliveira, que atuaram nas operações Vegas e Monte Carlo da Polícia Federal. Os procuradores afirmaram que a rede montada pelo contraventor Carlinhos Cachoeira tem características de organização mafiosa, e que adotou um código de silêncio entre todos os seus membros, tanto que, tal qual uma máfia, nenhum dos integrantes da quadrilha tem feito qualquer declaração, seja na Justiça ou na CPI.

    "O silêncio é um direito de todos, mas o código de silêncio adotado nos depoimentos à CPI e à Justiça Federal é típico de organizações mafiosas, quando um membro de grupo, com seu silêncio, quer defender o grupo e ser leal ao chefe", frisou a procuradora Léa Batista.

    Já o procurador Daniel Rezende Salgado disse, na reunião da CPI, que o vazamento de informações prejudicou o trabalho de campo dos policiais na investigação sobre as ações do grupo do contraventor Cachoeira. O procurador afirmou que era comum os suspeitos de jogos ilícitos saberem de antemão que carros da PF chegariam aos locais onde essas atividades eram praticadas. Ele também disse que, por causa dos vazamentos de interceptações telefônicas, muitas ações tiveram de ser antecipadas e muitas investigações deixaram de ser feitas, tais como as apurações sobre atividades de lavagem de dinheiro.

    O Líder do PSDB elogiou a descrição feita pelos procuradores sobre a atuação do grupo comandado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira. Para o senador tucano, o depoimento dos procuradores reforça a ideia de que a quadrilha "avançou seus tentáculos" sobre o poder público em suas três esferas (federal, estadual e municipal).

    "A convocação dos procuradores se deu em um primeiro momento da CPI, quando tratávamos ainda dos desdobramentos das operações Vegas e Monte Carlo. Mas agora a CPI avançou e chegamos ao entendimento de como essa organizações criminosa se infiltrou no setor público, obtendo repasses via superfaturamento das obras tocadas pela Delta. Como confirmado pelos procuradores, essa organização é de alta periculosidade e possui enorme capacidade de cooptação de agentes públicos", afirmou o Líder do PSDB.

    Ainda na CPI, o senador tucano fez questionamentos aos procuradores indagando sobre os rumos da investigação em relação à aproximação entre o empresário Fernando Cavendish e o bicheiro Cachoeira. Diante da negativa dos procuradores, o Líder do PSDB afirmou que a falta de informações da Justiça faz aumentar a responsabilidade da CPI, em vista de terem sido identificados repasses de R$ 413 milhões da Delta para 18 empresas de fachada. "Esse é um dinheiro fruto de desonestidade, de pagamento de propina pelo tráfico de influência, por contratos generosos com o governo, pelo superfaturamento de obras. Esta deve ser a essência da investigação desta CPI", disse o senador Alvaro Dias.

    Mudança de rumos

    Já na sessão plenária, à tarde, o Líder do PSDB, ao falar sobre o depoimento dos procuradores, voltou a argumentar que as investigações devem se concentrar, a partir de agora, nas atividades ilícitas da empresa Delta em todo o país. O senador tucano voltou a lembrar que 12 empresas fantasmas abastecidas com dinheiro da Delta ainda não tiveram seu sigilo quebrado, e que a soma dos valores recebidos por intermédio da construtora, que já somam R$ 413 milhões, seguramente devem ultrapassar os R$ 500 milhões.

    "As 12 empresas que ainda não tiveram o sigilo quebrado são localizadas em outras regiões do País. Carlos Cachoeira e Fernando Cavendish possuíam empresas laranjas, organizadas quase sempre pelo bicheiro e seus coadjuvantes, em cada região do País. São essas empresas que queremos alcançar. Elas não podem ser preteridas pela investigação. É essencial que se investigue também a passagem de recursos de origem pública por essas empresas, e necessitamos da quebra de sigilo bancário delas exatamente para verificar quais foram os beneficiários finais. Os recursos que chegaram a essas empresas foram para a conta bancária de quem? Esse é o objetivo da investigação", afirmou o Líder do PSDB.

    O senador tucano também lembrou que muitos vídeos recolhidos pela Polícia Federal ainda não foram apresentados à CPI, e também o resultado de gravações decorrentes de conversas telefônicas que não foram recebidas pela comissão. "Há material bruto ainda não analisado. Independentemente dessas informações que são certamente preciosas, as informações bancárias, por si sós, permitirão à CPI apresentar, ao final, um relatório que poderá indiciar pessoas pela prática de vários crimes cometidos. Os repasses para as empresas laranjas têm o objetivo de contemplar aqueles que integram a organização criminosa direta ou indiretamente: os que facilitaram as operações e os seus executores. São recursos desonestos para o pagamento de propina, como consequência do tráfico de influência exercido por alguns agentes públicos", disse o senador.

    Ao citar, no Plenário, algumas das conclusões repassadas aos parlamentares da CPI pelos procuradores que investigam o caso Cachoeira, o senador Alvaro Dias afirmou ainda que as autoridades judiciárias e policiais do País devem se preocupar em proteger os representantes do Ministério Público e também da Justiça, que vem sofrendo ameaças da quadrilha do contraventor goiano. O senador tucano afirmou ainda que é preciso que se considere a possibilidade de se oferecer proteção mais adequada ao próprio Cachoeira.

    "É evidente que no momento em que Cachoeira chegar à conclusão de que está sendo o alvo maior nesse esquema, que sobre ele se concentram as denúncias mais graves e que, certamente, se concentraram as penalidades mais duras, é possível que ele fale. Isso, obviamente, deve amedrontar aqueles que se sabem culpados, e que podem ser apontados como partícipes de todo esse processo criminoso e de corrupção se Cachoeira resolver falar", disse.

     

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