"Economistas independentes e que não rezam pela cartilha do PT estão alertando para as possibilidades de risco que o povo brasileiro está vivendo neste momento. O governo não faz a reforma administrativa, não investe, gasta demais, é perdulário, está paralisado em nas obras de infraestrutura, permite um superfaturamento que consome mais do que devia consumir de recursos públicos. De outro lado, não faz a reforma tributária nem promove uma melhor distribuição de renda entre os brasileiros", disse.
O Líder do PSDB leu no Plenário alguns comentários e cenários elaborados por analistas, que projetam números preocupantes para o País. Um dos estudos relatados pelo senador foi o Boletim Focus, do Banco Central, que projeta um desempenho da economia aquém dos 2,7% do PIB do ano passado (a previsão dos economistas ouvidos pelo BC é de que o PIVB crescerá apenas 2,3% em 2012). Em linha ainda mais pessimista, análise organizada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, apresentada pelo Líder, defende que o crescimento do PIB para 2012 será de apenas 1,8%.
Outra análise apresentada pelo senador Alvaro Dias durante a sessão plenária foi o artigo da jornalista Miriam Leitão, publicado no jornal O Globo, no qual ela chama atenção para o fato de que, apesar da inquestionável solidez do sistema financeiro brasileiro, alguns fatos recentes demonstram que a conjuntura já não exibe sinais tão favoráveis. A jornalista destaca no artigo que foram usados R$ 9 bilhões pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para cobrir rombos e fraudes em cinco bancos: PanAmericano, Morada, Schahin, Matone e Cruzeiro do Sul. Ela ilustra sua análise afirmando que a conta do banco Cruzeiro do Sul está em aberto porque o banco tem R$ 1,5 bi de dinheiro de fundos de pensão e pode não ter como honrar.
"Com lucidez, Miriam Leitão ressalta que o custo real de todos esses abalos do sistema financeiro nacional ainda não pode ser dimensionado com exatidão. Fatalmente, a conta será maior do que os 9 bilhões usados do Fundo Garantidor de Crédito para salvar inúmeras instituições financeiras", afirmou o senador.
Citando ainda outros economistas e jornalistas especializados, o Líder do PSDB disse que o setor de serviços, que mais emprega, está perdendo fôlego no país, que os investimentos públicos e privados estão muito baixos e que apenas o aumento do consumo não vai sustentar o desempenho da economia. Alvaro Dias criticou o governo por ter apostado na estratégia do consumo sem ter se preocupado em incentivar os investimentos. O Líder lembrou ainda que o endividamento e inadimplência das famílias e das pessoas físicas estão aumentando e o governo gasta demais com a máquina pública.
"O governo está paralisado, sem criatividade e sem capacidade de promover reformas. A economia começa a fazer água e é preciso que o governo acorde e adote providências urgentes e mais competentes do que aquelas que têm sido adotadas até aqui. Se não promover reformas, Brasil não terá como atender as aspirações do povo brasileiro de viver melhor, portanto, o governo não pode se conformar com atitudes periféricas, com medidas secundárias, pontuais, sem ousadia ou criatividade", concluiu.
Doações da Delta
Em conversa com a imprensa, ao final da sessão plenária, o senador Alvaro Dias falou sobre as doações milionárias feitas pela empresa Delta Construções a partidos políticos da base aliada, em especial a candidatos do PT e PMDB. Segundo o Líder do PSDB, há uma relação nítida entre o crescimento da quantidade dos contratos da construtora com o governo e os valores significativos que ela destinou aos partidos. "Foram nos últimos anos mais de 2 milhões de reais registrados no TSE para candidatos de PT e PMDB", lembrou o senador.
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