• 24/05/2012
  • Alvaro Dias protesta contra “teatro” encenado por depoentes na CPI do Cachoeira
  • Diante da negativa dos depoentes convocados para falar , nesta quinta-feira (24/05), na CPI que investiga as atividades de Carlinhos Cachoeira e suas relações com agentes públicos e privados, o Líder do PSDB, Alvaro Dias, apresentou questão de ordem solicitando o encerramento das oitivas do dia, e protestou contra a atitude dos investigados. O senador tucano afirmou que os membros da CPI não devem se prestar ao papel de participar da "encenação" do que ele chamou de "um teatro de horrores". O tucano defendeu que, no caso da negativa em responder, os depoentes devem ser imediatamente devolvidos à prisão.
    "Esta CPI está em risco. É ridículo quando se encena aqui um teatro de horrores, com parlamentares eleitos indagando e os indiciados e presos em silêncio. Nós temos que preservar acima de tudo a respeitabilidade da instituição. Se não há respostas por que há de haver perguntas? Que a CPI os mande de volta para a cadeia!! Não há fato novo, e não devemos lançar indagações que poderão ainda ser usadas pela defesa. Então, que sejam devolvidos à Papuda, que é o lugar deles", disse o senador.
    Na manhã desta quinta-feira, o ex-vereador de Goiânia, Wladimir Garcez, apontado pelas investigações como um dos principais colaboradores do contraventor Carlinhos Cachoeira; Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, ex-sargento da Aeronáutica, suspeito de arregimentar policiais para atividades criminosas e de ser "araponga" do grupo de Cachoeira; e Jairo Martins, também suspeito de ser "araponga" da organização criminosa, atendendo à orientação de seus advogados, evocaram o direito constitucional de não produzir provas contra si mesmo e de permaneceram em silêncio na CPI. Diante da negativa dos depoentes, os membros da CPI decidiram encerrar os depoimentos e dispensar os três convocados.

    Rejeição a acordos

    No Plenário, ao voltar a falar sobre a sessão da CPI em que os parlamentares decidiram votar requerimentos na próxima terça-feira, o Líder do PSDB rechaçou a celebração de qualquer tipo de acordo para proteger investigados na comissão. "Ouvi falar que havia sido fechado um acordo na CPI. Mas que acordo é esse? O bloco da oposição possui apenas seis dos 30 votos da CPI, então por que os governistas precisariam da oposição pra fazer qualquer tipo de acordo? E que acordo nós celebraríamos se nós mesmos apresentamos requerimento de convocação do governador Marcone Perillo?".

    Alvaro Dias disse ainda que, como Líder do PSDB, não faz nem aceita que se faça qualquer tipo de acordo no Congresso. "Na próxima terça veremos quem é que nesta CPI celebrou qualquer modalidade de acordo. Como líder do meu partido, não admito qualquer acordo. Eu estaria afrontando todo o meu itinerário político, minha história, meus eleitores".

    Julgamento do século

    Ainda no Plenário, o senador Alvaro Dias disse acreditar na CPI e no fato de ela "manter acesa" a chama da investigação sobre o caso Cachoeira. Para o senador, aqueles que estimularam a criação da comissão com o objetivo de desviar o foco do julgamento do mensalão acabarão por se decepcionar.

    "Não há como desviar o foco daquele que pode ser o julgamento da história, já que é consequência de uma organização criminosa, no dizer do ex-Procurador-Geral da República, Antônio Fernandes de Souza. Quem acredita que, com a CPI do Cachoeira, irá desviar o foco do julgamento do mensalão, certamente encontrará como resposta a decepção, porque esse julgamento consagrará o Supremo Tribunal Federal. Essa é a grande oportunidade que tem a Suprema Corte de reabilitar as esperanças do povo brasileiro na Justiça deste País", afirmou o Líder.

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