Senador Alvaro Dias

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08/02/2010

Alvaro Dias lê artigo de FHC em resposta a críticas do presidente Lula

O SR. ALVARO DIAS (PSDB - PR) pronuncia o seguinte discurso pela Liderança do PSDB:
- Senador Mão Santa, Srªs e Srs. Senadores, primeiramente, quero aplaudir o Senador Mão Santa, que lidera todas as pesquisas no seu Estado, o Piauí, para o Senado Federal. Creio que esse é um prêmio à sua atuação, à sua presença, à sua dedicação e à sua importância no Senado Federal. Meus parabéns a V. Exª! Certamente, será homenageado com uma vitória expressiva nas urnas no seu Estado, o Piauí.
Mas, hoje, Sr. Presidente, tenho o dever de repercutir da tribuna do Senado Federal - e o faço em nome do meu Partido, o PSDB - um artigo do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Antes de tudo, eu gostaria de dizer que incluo Fernando Henrique Cardoso no seleto clube dos estadistas de todo o mundo. Com defeitos e muitos acertos, com mais acertos do que erros, o Presidente mudou o Brasil. Com a estabilização da economia e com a responsabilidade fiscal, plantou os pressupostos básicos indispensáveis para que o País pudesse avançar. Vou fazer a leitura desse artigo e comentá-lo, mas, antes, quero dizer que o que motivou o Presidente Fernando Henrique Cardoso a escrever esse artigo foi exatamente a insistência com que se procura, há muito tempo, desconstruir a fantástica imagem que deixou ao governar o País. Ora, o Presidente não poderia ficar passivamente assistindo aos ataques a que tem sido submetido, muitas vezes, por uma irresponsabilidade retórica sem precedentes neste País. Não é o Presidente Fernando Henrique Cardoso quem provoca esse debate. Ele foi convocado a esse debate e, como homem de conceito intelectual inquestionável, não poderia deixar de dar a devida resposta a todos os questionamentos a que tem sido submetido, mesmo sem desejar.
Antes de iniciar a leitura do artigo, eu, com prazer, concedo o aparte a quem pode, com muita autoridade, falar sobre Fernando Henrique Cardoso, que é o Senador Marco Maciel, que foi seu leal Vice-Presidente durante as duas gestões à frente do Governo deste País. É uma figura que honra o Senado Federal, pela sua dignidade, pela sua cultura e pela sua honestidade. Por isso, com muito prazer, concedo, inicialmente, o aparte ao Senador Marco Maciel.
O Sr. Marco Maciel (DEM - PE) - Estimado Senador Alvaro Dias, Srªs e Srs. Senadores, pedi de plano já o aparte posto, porque gostaria, secundando as palavras do Senador Alvaro Dias, de exaltar a obra do Presidente Fernando Henrique Cardoso nos oito anos em que, com muita lisura, com espírito público e com visão de estadista, governou nosso País. Foi graças ao Governo Fernando Henrique Cardoso que o Brasil realizou o mais bem-sucedido plano de estabilidade fiscal que o País conheceu. Nada se compara com os planos adotados durante o Império, inclusive no período inicial da República, nada se compara ao Plano Real. Realmente, ele criou condições para que o País pudesse livrar-se da inflação e, mais que isso, adotar providências que permitiram fazer com que o Brasil começasse a ter um processo de crescimento continuado, sem sobressaltos. É um acervo tal, que, em poucas palavras, não poderíamos dizer tudo que foi feito, mas gostaria de lembrar que, entre muitas providências adotadas, em primeiro lugar, há a questão da Lei de Responsabilidade Fiscal. Essa Lei vem assegurando ao País a continuidade desse esforço de estabilidade fiscal. Esse é muito mais que um programa de estabilidade fiscal, visto que atua no campo social e econômico e também na política externa. Por outro lado, é bom lembrar o Proer, que foi editado em momento difícil que atravessava o País e que ofereceu resultados que estão bem à mostra de todo o povo brasileiro. Na realidade, o Proer deu ao País um sistema bancário sólido, que, hoje, está interagindo com instituições financeiras do exterior. Isso tem permitido fazer com que o Brasil assegure, em que pesem muitas vicissitudes, a continuidade do seu processo de crescimento econômico. Eu também não gostaria de esquecer que foi no Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso que se deu fim à chamada indexação da economia. A indexação da economia gerava inflação, perturbava o processo econômico, e esse foi outro passo que não podemos deixar de mencionar. Além disso, como o Presidente Fernando Henrique Cardoso mencionou no seu artigo - aliás, é um artigo extremamente oportuno e igualmente muito bem escrito -, as medidas que adotou com relação ao Banco do Brasil, que ficou capitalizado com mais de R$6 bilhões, junto com a recuperação da Caixa Econômica Federal, são algo que não podemos deixar de lembrar. Também não posso deixar de mencionar o que se fez numa área extremamente estratégica, no campo da privatização. A privatização da Telebrás, à época, assegurou-nos cerca de US$23 bilhões, e o Sistema de Telecomunicações do nosso País, hoje, é um dos mais bem-sucedidos do mundo. No Brasil, já há uma integração feita por esse Sistema de Telecomunicações, sem contar também o fato de que, cada vez mais, avançamos no sentido de melhorar nossas comunicações. Mas é importante lembrar que, além da privatização da Telebrás, outra privatização muito importante foi a da Vale do Rio Doce. Não esqueço que o Presidente Agnelli, o atual Presidente da Companhia do Vale do Rio Doce, disse uma frase para mim emblemática, quando chegou à Bolsa de Valores de Nova Iorque. Ele disse que a Vale está na Bolsa de Valores de Nova Iorque por que, no Brasil, houve a privatização. Sem ela, a Vale não teria dado esse salto e, certamente, teria perdido o protagonismo que exerce em setores estratégicos da economia. Também gostaria de lembrar os avanços no campo político, tanto no campo da lei partidária quanto da lei eleitoral, e na busca de uma maior estabilidade institucional para o País. Isso também se deve ao fato de gozar Fernando Henrique Cardoso de um grande conceito no exterior, por ser um intelectual acatado e um homem público respeitado e por se ter dedicado ao desenvolvimento do País e das instituições. Por isso, gostaria de dizer ao Senador Alvaro Dias: V. Exª, em nome do PSDB, que, aliás, é o Partido do Presidente Fernando Henrique Cardoso, assoma à tribuna, para fazer considerações que, certamente, vão deixar, mais uma vez, claro o papel decisivo do octoênio do Presidente Fernando Henrique Cardoso, cujos resultados foram tão expressivos, tão reconhecidos, que asseguram ao País um status privilegiado, com grande reconhecimento da comunidade internacional. Por isso, Senador Alvaro Dias, cumprimento V. Exª pela oportuna intervenção que está fazendo da tribuna do plenário do Senado Federal. Desejo também, ao cumprimentá-lo, dizer que espero que as palavras de V. Exª possam servir para um debate, de forma que venha o Brasil a responder, de forma consistente e articulada, às grandes demandas da sociedade brasileira. Não fora o período dos dois mandatos do Presidente Fernando Henrique Cardoso à frente da Presidência da República, o Brasil não estaria nos patamares em que se encontra hoje. Por isso, nós nos felicitamos por esse período áureo do Governo de S. Exª, o Presidente Fernando Henrique Cardoso. Parabéns a V. Exª, nobre Senador Alvaro Dias, que tão bem representa o PSDB, neste momento, no Senado Federal!
O SR. ALVARO DIAS (PSDB - PR) - Muito obrigado, Senador Marco Maciel. V. Exª sintetiza a obra que a história haverá de reconhecer. O Presidente Fernando Henrique tem sido injustiçado, mas, certamente, a história reconhecerá sua obra administrativa, que proporcionou profundas mudanças no País. V. Exª sintetizou, com competência, que essa obra significa a estabilização da economia, a responsabilidade fiscal, a sustentabilidade financeira e a recuperação da competitividade da economia nacional. É uma obra que temos de reconhecer, sob pena de praticarmos um ato de desonestidade intelectual.
Faço a leitura e comento, em alguns momentos, o artigo intitulado "Sem medo do passado", escrito pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso. Diz ele:
"O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que, se a oposição ganhar, será o caos.
Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse "o Estado sou eu". Lula dirá: "o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.
Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?
A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês...). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo".
Comento, Sr. Presidente.
Há, sim, uma ignorância absoluta em relação aos feitos dos seus antecessores. Na verdade, valem-se dos feitos dos que os antecederam e desdenham deles. Combateram as inovações propostas pelos governos que os antecederam e foram derrotados. Hoje tentam apropriar-se indebitamente daquilo que outros fizeram.
Não há dúvida de que os avanços alcançados no atual Governo, que o sucesso do Presidente Lula só ocorreu porque antes dele houve um governo da competência do Governo de Fernando Henrique Cardoso. Por que ignorar esse passado? Por que desprezar esses feitos? Por que tentar apropriar-se deles? Isto é honestidade intelectual? Isto é respeito à sociedade que preside?
E prossegue Fernando Henrique:
Na campanha haverá um mote - o governo do PSDB foi "neoliberal" - e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social.
Ora, agora pergunto eu, Senador Mão Santa: se foi neoliberal o Governo Fernando Henrique Cardoso, o que é o atual Governo? Afinal, o atual Governo não manteve a mesma política econômica? E os programas sociais? Quais são os programas sociais do atual Governo? São os mesmos programas administrados pelo governo passado, idealizados e administrados.
Ora, a única inovação conhecida do atual Governo, em matéria de programa social, chamou-se Fome Zero. O que foi feito do Fome Zero? O Fome Zero morreu, morreu de fome e de incompetência. Ele não se sustentou.
Os programas que estão implementados - e aplausos para o Governo Lula pela implementação desses programas - tiveram origem, praticamente todos eles, no Governo Fernando Henrique Cardoso. Foi uma herança bendita, recolhida pelo Presidente Lula.
O Presidente Fernando Henrique Cardoso responde à questão do neoliberalismo, da privatização das estatais e da suposta inação na área social. Diz ele:
Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados... O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas, Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da Lei de Responsabilidade Fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal.
Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado. Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao País.
É bom repetir: o PAC não é o Avança Brasil. O PAC é uma sigla para publicidade oficial, e o PAC se transformou em um paraíso da corrupção, com obras superfaturadas em praticamente todos os setores dos investimentos em obras de infraestrutura no País.
Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à Internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao Governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país.
Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de bravata do PT e dele próprio; esqueceu-se de sua responsabilidade e da de seu Partido por temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI - com aval de Lula, diga-se - para que houvesse um colchão de reservas no início do Governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou o seu Governo e elevar o superávit primário e os juros às nuvens...
Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou o seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003 para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo o que haviam pregado, ele e o seu Partido, nos anos anteriores.
Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto "neoliberalismo" peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o disse o atual Presidente do Partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, citado por Adriano Pires no Brasil Econômico: "Se eu voltar ao Parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha seis milhões de barris de reservas.
Dez anos depois produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade que, muitas vezes, é bem diferente da idealização que a gente faz dela" [disse o atual Presidente do PT].
O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo.
De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$800 para aproximadamente R$1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.
Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa Família), que são vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um Município (Campinas) [administrado à época pelo PSDB] e no Distrito Federal [à época administrado pelo Senador Cristovam Buarque], estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo.
O Bolsa Escola atingiu cerca de cinco milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras seis milhões, já com o nome de Bolsa Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores.
É mentira, portanto, dizer que o PSDB não olhou para o social. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área. O SUS saiu do papel à realidade; o programa da Aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa Toda Criança na Escola trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de 7 a 14 anos.
Foi também no Governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de três milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).
Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas, se o Lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.
Fernando Henrique Cardoso.
O Sr. Mão Santa (PSC - PI) - Senador Alvaro Dias...
O SR. ALVARO DIAS (PSDB - PR) - Eu concedo ao Senador Mão Santa um aparte para depois, Senador Mozarildo, com a gentileza de V. Exª, fazer mais alguns comentários antes de concluir este pronunciamento.
Senador Mão Santa, com satisfação.
O Sr. Mão Santa (PSC - PI) - Senador Alvaro Dias, eu aprendi de um filósofo: quem tem bastante luz não precisa diminuir a luz dos outros para poder brilhar. Eu quero dizer que governamos juntos; eu, no Piauí, e o Presidente da República era Fernando Henrique Cardoso..... Sou médico e vi a resolubilidade. Havia mutirões de cirurgias de próstata e de catarata. O Serra foi um extraordinário Ministro da Saúde. Então, foi com o Governo Fernando Henrique que isso avançou, que isso se consolidou. Digo isso ainda que eu não seja do PSDB. Isto é muito comum: ele plantou, plantou, e o nosso Presidente Luiz Inácio está colhendo. Ele foi duro. Quem quer pagar? Nós pagamos a dívida. Foram os Governadores que o fizeram, e, por isso, está aí isso. Mas foi um arrocho. E a visão? E a moeda? E esse cruzeiro? A gente ia viajar por aí, e ninguém aceitava o cruzeiro para nada. Então, eram essas as nossas palavras, mas quero dizer um grande ensinamento - peço somente um minuto, para terminar - sobre a democracia. Eu, aqui, vou dar um testemunho. Aprenda aqui, ô Mozarildo! Eu era do PMDB, e nasceu esse negócio de reeleição. Eu estava lá no Piauí, e havia um candidato extraordinário do PSDB, um homem de bem, o engenheiro Francisco Gerardo, que é ex-prefeito. Ora, Mozarildo, se ele quisesse usar a máquina, eu não ganhava a eleição. No Piauí, se ele desse aí como estão dando os aloprados, comprometendo até o TSE, a Justiça e o TRE... Ganhei as eleições do PSDB, fui reeleito - e era um candidato bom, eles tinham a capital -, porque o Fernando Henrique foi digno, foi decente, foi correto, foi um magistrado. Como é que o Piauí poderia resistir a isso? E havia candidato no Partido dele. Esse foi um grande ensinamento para nosso Presidente Luiz Inácio. Olhem os outros, o comportamento dos outros! O próprio Presidente Sarney teve vontade de fazer o Alvaro Dias, que está aí, Presidente. Eram muitos os candidatos. Ficou como magistrado, como juiz, e os candidatos dele perderam. Quem ganhou foi o adversário, Fernando Collor. Essa foi a beleza desse quadro. Fernando Henrique permitiu isso, porque foi correto e decente, porque respeitou o desejo do povo, a alternância do poder. Então, Fernando Henrique tem nosso respeito e nossa gratidão.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB - PR) - Muito obrigado, Senador Mão Santa. Eu até pretendia aparteá-lo, mas V. Exª estava tão empolgado em seu discurso, que não quis interrompê-lo. Quero agradecer a V. Exª o apoio e a solidariedade.
Concedo um aparte ao Senador Adelmir Santana, que representa o Distrito Federal nesta Casa.
O Sr. Adelmir Santana (DEM - DF) - Senador Alvaro Dias, V. Exª faz hoje, com muita propriedade, uma análise do artigo do Presidente Fernando Henrique publicado no Estadão, O Estado de S. Paulo, e no Globo, análise muito apurada e muito cuidadosa, que foi compartilhada pelo Senador Mão Santa em seu discurso. Mas eu não poderia deixar de aparteá-lo para lembrar - V. Exª até já fez referência a isso - que o Governo Fernando Henrique teve como um de seus colaboradores importantes uma figura de destaque dos Democratas, o hoje Senador Marco Maciel, que foi Vice de Fernando Henrique por oito anos. Todos os pontos que V. Exª levantou aqui foram, naturalmente, a parte boa desse governo, a continuidade de alguns pontos deixados como herança dos oito anos do Governo Fernando Henrique-Marco Maciel. Ressalto também o processo de privatização, que foi feito com muito cuidado, com a criação das agências reguladoras, que eram exatamente os instrumentos que fariam uma grande mediação entre consumidores e empresas privatizadas. Esse projeto teria de ter avançado mais. No entanto, o que se vê é que houve um desvirtuamento das agências reguladoras. Havia a intenção de fazer com que os mandatos de seus dirigentes nem mesmo coincidissem com os mandatos eletivos do Presidente, para que fossem instrumentos efetivos de defesa dos consumidores. Um aspecto a que V. Exª também faz referência é a questão dos medicamentos genéricos. Foi um grande avanço. Poderia ter avançado mais, naturalmente no Governo subsequente, mas faltou uma perna, exatamente a vinculação desses medicamentos com o programa do Sistema Único de Saúde (SUS), para atingir as populações de baixo poder aquisitivo, porque quem não tem trinta também não tem cinco, e, às vezes, fica esse turismo de doentes na busca de consultas em cidades-polo. É o que tenho falado sempre aqui: é preciso que avancemos nessa questão dos genéricos e na assistência de medicamentos aos segurados do SUS. Então, são análises que V. Exª traz nesta tarde de um artigo extremamente comentado, que foi também amplamente analisado por Mão Santa, o que nos deixa sem a possibilidade de fazer mais complemento algum. Mas quero parabenizar V. Exª e dizer que nós, os Democratas, somos felizes por continuarmos nessa possível coligação do futuro, aliados aos tucanos, como foi no Governo de Fernando Henrique, na figura de Marco Maciel. Nossos cumprimentos a V. Exª!
O SR. ALVARO DIAS (PSDB - PR) - Muito obrigado, Senador Adelmir Santana.
Pretendo concluir em mais alguns minutos, Sr. Presidente. Devo comentar também reações que ocorreram como consequência do oportuno e competente artigo escrito pelo ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso.
A Ministra Dilma afirma que insistirá em comparações: é o que a imprensa destaca no dia de hoje. A questão não é a comparação. Também sou adepto das comparações. Entendo que comparar é preciso até para que a população possa ter noção da realidade, mas não se compara com desonestidade, não se compara com manipulação das informações, não se compara com o desonesto manejo dos números. É preciso se comparar honestamente, e, se o debate se estabelece no patamar do respeito à verdade, evidentemente, como diz o Presidente Fernando Henrique Cardoso, a briga é boa. Não há por que temer. Aliás, quando se compara também, não se apropria indevidamente. Comparar somando feitos que a outros pertencem não é honesto. Enfim, essa questão da comparação deve ficar num segundo plano, até porque, repito, nada tem o PSDB a temer em relação ao passado, como diz Fernando Henrique Cardoso.
O que diz a candidata do PT é que "nosso caminho é melhor". Mas qual é o caminho? Na verdade, o Governo Lula percorreu os caminhos abertos por seus antecessores. Foram abertas amplas avenidas, para que pudessem os governantes de hoje promover avanços que significam a continuidade de programas idealizados e executados pelos seus antecessores e aqui já referidos. Que caminho novo? Não o vejo. O que vejo é um deplorável itinerário de corrupção durante esses últimos sete anos. Novo foi o mensalão, novo foi o valerioduto, novo foi o escândalo dos cartões corporativos, novidade foi essa relação de promiscuidade do Executivo com o Legislativo, que desmoralizou a instituição parlamentar no Brasil. Enfim, poderíamos acrescentar outras novidades que não somam favoravelmente ao atual Governo, mas o depreciam, sobretudo porque tem sido um Governo conivente com a corrupção. As ações comandadas pelo Presidente da República, nos últimos tempos, tiveram o objetivo de amordaçar CPIs para evitar investigação, de limitar a capacidade de fiscalizar do Tribunal de Contas da União (TCU), escancarando as portas do Governo à corrupção e à impunidade e transformando o Brasil no paraíso da desonestidade.
São esses os caminhos que querem percorrer? Não! Entendo que o povo brasileiro, nas urnas, haverá de dar importância às questões que, para o atual Presidente, não possuem importância. Afirmou ele que a oposição perderia tempo com o discurso da ética, porque "isso não leva a lugar algum". Não é um bom exemplo, não é uma boa retórica para o Presidente da República, que tem a responsabilidade de corresponder às expectativas da Nação, especialmente porque seu Partido, durante muitos anos, empalmou a bandeira da ética como se fosse o único proprietário dela.
Sr. Presidente, não quero abusar da bondade de V. Exª. Vou concluir, afirmando: Fernando Henrique Cardoso mudou o Brasil com a estabilidade econômica, com a responsabilidade fiscal, com a sustentabilidade financeira e com a recuperação da competitividade da nossa economia, plantando os alicerces básicos para a construção de um novo País, que, certamente, o povo brasileiro merece.
Desejamos que, no debate dessa campanha eleitoral, prevaleça a agenda de futuro para os brasileiros sobre os deploráveis resquícios de ignorância que atormentam alguns e que fazem com que priorizem o debate mesquinho da retaliação e do desconhecimento do que se passou no País. Espero que a agenda de futuro para o povo brasileiro seja a razão essencial do debate nessa campanha eleitoral e que o projeto de cada um seja não apenas um projeto de poder, mas seja, acima de tudo, um projeto de Nação.
Muito obrigado, Sr. Presidente.

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